terça-feira, 18 de junho de 2013

O Cravo e a Rosa, Como nas Antigas Canções

Sabe o que eu gostaria?
Gostaria de escrever um poema
Sobre ti
O cravo mais lindo do jardim.
Dotado de pétalas brancas e vermelhas
Diferente.
Hipnotizante.

Acho que qualquer poema sobre flor tão bela
Seria de igual formosura.
E qualquer poema sobre flor tão livre
Gozaria de igual liberdade.

Mas tenho medo de escrever-te.
Tenho medo de ser
A rosa das antigas canções 
Tenho medo de ser despedaçada.
Tenho medo
Dos meus próprios espinhos
Tenho medo de ver meu cravo ferido.

Meu cravo.
Você.
Tu.

Chamo-te meu,
mesmo que não me pertenças.
Chamo-te meu,
apenas porque desejo que pertenças a mim!
Chamo-te meu,
porque no fundo (do meu coração) tu és.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Sobre amor não correspondido, ser ou não ser.

É estranho como cada palavra que profiro contra ti fere a mim mesma. Às vezes julgo sentir mais o efeito delas do que você próprio; sempre tão devagar...

É engraçado como te odeio e ao mesmo tempo te amo, e como nunca sei o que fazer sobre isso. Sinto o significado da palavra amor a cada minuto. Não, a cada segundo, pois este é o tempo que passo pensando em você (não um segundo, mas todos).

Esse provavelmente é o texto mais clichê que já escrevi, mas ainda assim o mais verdadeiro. É difícil mentir quando falo de você. É difícil não ser – apenas não ser – com você.

Não sei se você entende. Sofro de amor não correspondido. E isso também é engraçado, rir da minha própria infelicidade. Minha infelicidade. Amar e não ser correspondido, ser amado e não corresponder. Nem faz sentido, faz?

Sei que a vida é só uma, mas não me apresso para deixar de amar-te. Afinal, sendo mútuo ou não, você me completa. Acho que acabei dependendo de você. Não como uma droga, pior.


Que engraçado... Do que acho que estou falando? Que engraçado!


Essas palavras... São como café, não me pergunte por que. Só são. Assim como você é. Assim como não sou, mas me torno perto de você. Acho que nem faz sentido, mas desde quando amor precisa fazer sentido? Amar é só amor.

domingo, 2 de setembro de 2012

Presente para Felipe


Eram seis da manhã e aquela terça-feira parecia estar especialmente fria e chuvosa. Deitada na cama, onde estava, podia escutar os carros que passavam pela rua em ritmo lento por conta da água. Subitamente sentindo mais sono, a garota virou-se para o lado e fechou os olhos novamente. Ficou ali por um tempo, mas não conseguiria dormir nem se tentasse então apenas levantou e pôs-se a se arrumar para o longo dia que teria na escola.


° Algo notável °

Um pequeno pacote que ela guardou na mochila antes de sair.


O nome da garota era Lis, e nada mais. Era bastante alta, apesar de ser ainda uma criança – ou pelo menos assim se considerava –, morena e de olhos castanhos bastante escuros. Gostava do próprio tom de pele, mas ainda assim nunca se achou muito bonita, embora isso não venha ao caso no instante. Mesmo chovendo (ou seria em virtude de estar chovendo?), Lis saiu de casa contente. Quem a visse passar provavelmente não repararia no sorriso maroto escondido atrás do guarda-chuva.

Logo a menina chegou ao colégio. Diferentemente dos outros dias, hoje parou e observou o prédio. Nada tinha de especial, assim como as pessoas que nele estudavam, mas ainda assim para ela tinha algum significado. Foi ali onde conhecera seu único amigo.


° Uma visão bonita °

Um garoto lendo um livro e uma garota sorrindo.


Sem hesitar, Lis entrou no colégio e fechou o guarda-chuva, sacudindo-o contra o chão. Olhando agora para o alto, acima de todas as pessoas, começou a procurar por ele. Foi encontra-lo sentado no mesmo banco onde estivera quando se conheceram, lendo outro livro.


  – Gostando do livro? – ela disse e sorriu radiante, da mesma forma que tinha feito no dia que se conheceram.


 – Aham. – ele respondeu, fechando a obra no mesmo instante e permanecendo fiel ao primeiro diálogo.


Rindo, Lis sentou-se ao seu lado e puxou o livro do seu colo para ler o título: A Menina que Roubava Livros. “Definitivamente combina com ele”, pensou, e devolveu o exemplar ao dono no mesmo minuto, virando para o outro lado para procurar algo na bolsa.


 – Feliz aniversário! – ela virou e entregou-lhe um pequeno pacote. Era verde, mesmo que gostasse mais de azul, ela quase nunca era fiel às coisas das quais gostava.


 – Sério mesmo? Não precisava! Achei que você nem iria lembrar. – ele admitiu, rindo.


 – Que tipo de filha você acha que eu sou, Senhor Previsão? – e fingiu estar chateada. Eles tinham praticamente a mesma idade, mas já fazia um tempo desde que começaram a brincar de “pai e filha”.


 – Do mesmo tipo do seu pai?


 – HAHA, engraçadinho! Vai, abre logo!


E ele abriu, parando em seguida para observar o conteúdo do pacote. Ficou ali por um tempo, observando, talvez maravilhado. Até que riu, ou melhor, gargalhou. Gargalhou como nunca antes havia feito, em alto e bom som e com lágrimas nos olhos. Parou de rir tão subitamente quanto começara e disse:


 – Obrigado.


Lis apenas sorriu. Não havia em seu dicionário nenhuma palavra que se encaixasse naquele momento e duvidava que em qualquer outro pudesse existir uma, por isso optou pelo silêncio, mais do que isso, pelo sorriso.

De dentro do pequeno pacote verde, o rapaz retirou um chocolate e começou a comer. Eram caseiros, mas não tinham um gosto ruim. Cada um tinha uma letra feita de chocolate branco por cima, e se ele pusesse todos em cima de uma mesa e organizasse na ordem correta encontraria a frase:


FELIZ ANIVERSÁRIO, FELIPE.

EU TE AMO.


E no fundo, bem no fundo do pacote, havia um bilhete, escrito na frente e no verso. Sem muitas palavras bonitas, mas com palavras do coração, assim como os chocolates.


° A última frase °

Espero que goste, foi feito para você.



sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Simplesmente Inviável: Porque também é simplesmente inviável continuar guardando só pra mim.

Já escrevi tantos textos de desabafo e choro que, até mesmo eu, estou cansada da minha própria infelicidade. Não é como se não estivesse cansada desde o início – afinal, sempre tentei não me entregar à dor –, mas desta vez há a diferença de que até mesmo de falar vejo-me cansando.

Sei que tantas palavras na verdade não ajudarão em nada, até porque você provavelmente nem vai chegar ao extremo de lê-las, todavia ainda não tenho (ou não quero ter) alguém pra desabafar, sendo assim o faço comigo mesma.

Eu nem bem consigo lembrar de quando comecei a amar-te tanto quanto você sabe que amei (e agora não me afeto em dizer que ainda amo; parece que enfim a depressão se foi). Você entrou na minha vida de fininho e eu sempre aprecie sua presença nela, mesmo com a dor de cabeça que muitas vezes você me causava.

Agora tenho o prazer de dizer que já não me pergunto quais foram meus erros ou os seus que fizeram tudo mudar tão depressa. No entanto, ainda sinto que estou sozinha. Hoje sou capaz não só de perceber, mas também de admitir, que contei contigo mais do que comigo mesma; tornei você meu apoio enquanto achava que talvez fosse o teu.

Lembro-me de uma vez já ter discutido com você. Naquele dia, achei que nunca mais te perdoaria e acabei por perdoar ainda no mesmo dia. Parece que a mim está fadado que devo sempre lhe perdoar, talvez não aos outros, mas sim a você. Não gosto de ser herói, ou heroína, apenas estou sendo sincera, por mais clichê que possa ser. Quando você cantou para mim, cometi o erro de pensar que conseguiria manter minha promessa de não ter deixar – não me lembro de prometer a ti, mas a mim, com toda a certeza.

E é por isso que apenas admito sentir tua falta. Não ter você aqui para me abraçar, me animar, me amar. Não ter teu colo para chorar, não ter sua voz para dizer-me que está tudo bem, e se não estiver, ficará. Não ter sua teimosia para acreditar em mim, ou sua extrema felicidade para chorar por mim. É simplesmente inviável. Inviável para mim é viver sem você.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Outra carta para Sophie


Querida Sophie,


Você há de me culpar por tudo isso um dia, talvez hoje ou amanhã. No entanto, querida, posso jurar que a culpa não é de todo minha quando descubro minha mente vagando à sua procura – ou talvez seja, pois gosto de te amar um tanto.

Juro-te, se assim desejar, que não memorizei teu cheiro por própria vontade. Ter-te perto me deixa assim; mais agitado, mais acordado, mais feliz. Afinal, sou incapaz de não amar-te o sorriso tão imperfeito e tão perfeito, que gosto de tal maneira a pensar que ele é pelo menos um pouco meu. E se não for, não me culpe por imaginar meu o que não o é, mas aviso-te de antemão: quando se trata de você acontece frequentemente.

E se esta carta já está monótona então me perdoe, pois não posso impedir-me de te amar também os cabelos. Tão ruivos e longos; tão macios (e meus). Nem de amar-te o rosto, principalmente quando suas feições demonstram que acabou de levantar-se da cama.

Sou incapaz também de não amar tua voz. Música para os meus ouvidos, capaz de projetar em meus lábios um sorriso ao dizer para mim coisas tão loucas que apenas me fazem sorrir e ser feliz. E incapaz de amar teus lábios, tão delicados e gentis.

Amo-lhe ainda o jeito de menina, o jeito de sabe-tudo, o jeito de sonhar e também o jeito de abraçar. Ter-te apertada nos meus braços é carregar meu mundo nas mãos e por isso aproveito cada instante da raridade do momento – nem todos são capazes de segurar o próprio mundo nas mãos, são?

Gostaria de pedir que não deposite em mim toda a culpa de tudo isso. Amar-te é inevitável. Afinal, como eu poderia ignorar teu o olhar? Sim, o olhar. Teu lindo olhar. De todos esses é sem dúvidas o meu favorito: delicio-me ao mergulhar no infinito dos teus olhos, pronto para desbravar teus mundos (assim mesmo, no plural), conquistar impérios e construir reinos. E a cada mergulho na imensidão do teu olhar sou capaz de perceber porque me é tão importante. Acontece que em ti vejo a mim, mas não simplesmente isso. Vejo a nós dois. E por isso, Sophie, você há de me desculpar.

Você há de me desculpar porque a ilusão de um coração apaixonado - do meu coração apaixonado - não tem limites. Há de me desculpar por te amar e porque te amo. Há de me desculpar por tirar de ti a paz, e há de me desculpar simplesmente porque tu és minha tanto quanto sou teu.


Do teu amado,
Leonnard.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O Brilho das Pessoas


Existem pessoas de todo o tipo. Algumas nascem com um brilho especial, outras nascem sem ele, alguns têm brilho multicolorido, todas são diferentes, mas a maioria nem se dá conta de que ele (o brilho) existe.

Quando você se dá conta da existência desse brilho e começa a reparar nas pessoas, se elas são comuns ou não, se estão apenas se contentando, qual a cor do seu brilho – azul, amarelo, rosa, branco, verde, multicolorido. Uma hora você descobre que também existem pessoas únicas, e quando elas surgem...

Elas podem se encaixar em qualquer um desses grupos, talvez tenham brilho, talvez não tenham nada de especial. É só que elas são únicas. Únicas no amor, no jeito, no sorriso, no olhar.

Existem amores que são maiores do que outros, e quando se conhece uma pessoa única é assim que você se sente. Nada se compara ao que você sente por ela. É difícil desapegar, é difícil se afastar e ficar longe. Você só quer ficar com ela.

No entanto, a danada da vida às vezes nos prega peças. Apresenta-nos pessoas que únicas e depois nos pede para larga-las. E ai você precisa fazer uma escolha.

Já cruzei com pessoas únicas na estrada, no trabalho, na escola. Conheci uma quantidade considerável de três pessoas únicas; todas as três são diferentes de todas as formas possíveis. E em uma parte do caminho, percebi que – não por mim, mas por outro – só é possível amar algumas pessoas largando-as, deixando-as ir. Então eu digo para você, mantenha em mente.

Algumas pessoas só são boas sem você.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Pequena


Hey garota, me disseram que você mudou. Isso é sério? Bem, se é verdade então fico feliz em saber. Ou não muito, talvez. É que você era feliz, sabe. Antes você era feliz. Vivia seus dias a sorrir pelo pátio e brincar com borboletas.
Ah... A felicidade... E as borboletas! Você as adorava, simplesmente isso. Elas voavam e coloriam o ar por onde passavam, mas sua vovó nunca te deixava pegá-las. “Faz mal”, ela dizia, e assim sendo você apenas as via voar.
Menina doce, menina. Sapeca e de ar gentil. Quantas vezes a vi saltitar pelo jardim e brincar de cheirar flores malcheirosas, você nunca se assustava com elas, essas flores. Achava-as bonitinhas, era o que dizia. Mas no final, ninguém gosta de flores com cheiro ruim – ou sem cheiro algum, o que é ainda pior –, e faziam-na largar a flor com uma tapa na mão. Mas sabe o que você fazia, pequena? Você sorria. Você sorria e todos se apaixonavam. Você sempre teve todos na mão e, ainda melhor, no coração. Todos gostavam da sua inocência de menina.
E então a menina cresceu e tornou-se mulher. A inocência de uma mulher não pode ser a mesma de uma criança. Muitos têm medo desta transição, muitos têm medo do que há de vir a seguir e da vida que Deus lhe reservou. Muitos; você não.
Ai menina, minha menina. Você apenas seguiu adiante. Toda sorrisos e alegrias, como se a infância ainda estivesse em frente. E, de fato, parecia que para você estava. A sua vida era uma aventura de criança, sua avó dizia enquanto tricotava, e eu ali – ao seu lado – apenas ouvindo-a falar encanto e enquanto sua netinha crescia como no luar da canção (aquela que sempre fala do sertão), a perseguir borboletas e tocar coração.
Outro dia estava eu em casa, quando me soou a campainha. Era você, minha pequena, que veio visitar. Leu para mim uma história, uma história qualquer; com fadas, princesas e chapéus vermelhos, bem o seu tipo de história. Mas depois fiquei sabendo que não era essa história que minha pequena queria contar. Ah, pequenina... Ah! Se eu soubesse o que diria, nunca teria atendido a campainha. Mas eu não sabia e por isso, num ato leigamente comum na história da humanidade, eu apenas atendi. E as notícias não me foram boas.
Antes de revelar a tal da história, preciso dizer que nessa época você já não tinha mais seus cinco anos. Era na verdade uma mulher formada e prestes a entrar para... faculdade. Era o terror que me afligia. Você iria pra faculdade e, pela primeira vez, ficaria longe de mim.
É claro que eu sabia que esse dia chegaria. No entanto, parece que ele chegou cedo demais, não consigo entender. Passou tão rápido, esse danado do tempo! E pensar que eu já não poderia cuidar de você!
Porque dizem que há males que vêm para o bem, você voltou dois anos depois. Já tinha aparecido ocasionalmente para ver sua avó e talvez, se eu dessa sorte, ler para mim algum conto de fada antigo. Mas foram dois anos depois que você voltou de verdade. Para o enterro da sua vovó.
Foi um dia triste, é verdade. Mas você ficou comigo o dia todo, todo o dia. Já não tinha mais aquele sorriso, meu sorriso. E quando indaguei deu um sorriso torto e disse que passou por muita coisa – mas não pude não reparar que nem sinal do meu sorriso. E minha pequena? Então minha pequena se fora?
Você ficou bastante tempo comigo porque não tinha ninguém para me cuidar, e durante esse período observei as coisas que mudaram em você. Você tinha corpo, mas seus cabelos ruivos perderam um pouco da cor. Seus olhos azuis perderam um pouco do brilho, e seu modo de vestir já não me parecia radiante.
Não sabe quanto tempo eu fiquei assustado com a possibilidade de perder a minha pequena, minha criança, juro que não sabe. Certa tarde, porém, resolvi cuidar da minha vida, e não é que ela calhou de ser você?
Saí na rua e lhe comprei presentes. Lindas sapatilhas azuis, da cor dos seus olhos e um lindo vestido do mesmo tom. Sabia que ficariam lindos em você, e sabia que azul era sua cor favorita. Mas você apenas os pegou, agradeceu e colocou na mesa. Disse que ia fazer o jantar.
Sentei no meu canto, juro que tentei ficar quieto. Algo me incomodava, no fundo da minha alma. Então levantei da cadeira e fui até você. Segurei na sua mão, a mão da faca. E disse “hoje, eu faço o jantar”. E depois, eu acho que tinha algo nos meus olhos, porque você olhou neles e começou a chorar. Simplesmente isso, começou a chorar.
Você desabou no meu ombro por muito tempo, e eu simplesmente fiquei lá, te abraçando. Às vezes, você parava e tentava me olhar no rosto, mas não conseguia, desatava a chorar novamente. E lá ia eu te abraçar e te dar carinho. Você fez isso repetidas e repetidas vezes. De novo, de novo e de novo. E eu não me importei momento nenhum. Exceto uma hora. Isso mesmo, teve uma hora...
Você me olhou nos olhos, e eu olhei nos seus. Passei a mão no seu cabelo, tentando ajeitá-lo um pouco. E então você me abraçou mais forte, e eu disse Acabou, pequena.


domingo, 27 de maio de 2012

Um texto qualquer sobre palavras e sentimentos


Sophie balançava mais uma vez. Seu balanço no ritmo do vento. Suas palavras no ritmo da vida. Mas lhe vinham tantas palavras, e nenhuma parecia ser a certa.

Solidão? Angústia? Piedade? Carinho? Mentira? Amizade? Talvez todas essas.

E se a angústia de alguém fosse tão grande a ponto de desejar a solidão para si como uma forma de piedade, tanto para si mesmo quanto para sua amizade? E se a mentira algum dia lhe parecesse a única forma possível de se demonstrar carinho?

Tudo era tão vago. Todas essas palavras, juntas ou não, faziam algum sentido. Porém nenhuma delas dava sentido.

E de tanto pensar e repensar foi que Sophie entendeu. E se ela antes não tinha palavras, agora ela as tinha.

E se viver é sentir, então o que vale é o que você sente.



quarta-feira, 23 de maio de 2012

Minha Formiga


− Sinto falta.
− De quê?
− Da minha formiga.
− Você tinha uma formiga?
− Tinha. Ela era ranzinza e teimosa, mas acabei tornando ela minha. Sim, ela era minha.
− Não é mais?
− Não. Ela pediu pra não ser.
− Por quê?
− Ora, vai ver ela já foi minha por tempo demais. Sugou todo o meu açúcar e foi embora. É o que as formigas fazem, não? Mordem, ou picam, não sei dizer. Uma mordida tão pequenininha que a gente nem repara direito até começar a arder, e a doer. Muito!
− É verdade, mordida de formiga dói. Tome cuidado com as vermelhas!
− Por quê? A minha formiga era vermelha e nunca me fez mal algum.
− Ora, ela te mordeu, não foi? Ou não? São venenosas!
− AAH! Se for com isso que se preocupa, pode parar por ai. Ela não era venenosa, ainda não é. É incompreendida.
− Por que diz isso?
− Porque é uma formiga, precisa de melhor motivo? Ninguém entende realmente as formigas, não os humanos, pelo menos – nem mesmo as crianças. Nem mesmo eu.
− Mas você não tinha uma formiga? Como não entendia uma formiga e mesmo assim a tinha?
− Simples: não era eu que a tinha. Ela que tinha a mim. Mas perdeu. Ou não?


domingo, 13 de maio de 2012

Balanço da Vida


Sophie em seu balanço mais uma vez. Apenas sentada, balançando. Subindo e descendo. Até cair. E junto com ela caem suas lágrimas.

Sophie chora, e chora muito. Seus braços e suas pernas estão ralados – mas seu coração é o que mais dói.

Tem andado tão triste. Já não há sorrisos em seus olhos, nem estrelas em seus lábios. Suas lindas madeixas ruivas perderam a cor, e seu vestido azul – seu favorito – ela já não usa mais.

Por algum motivo, ela não consegue pensar nessa queda como apenas uma queda, mas sim como uma traição. Que irônica a vida. Seu balanço, seu melhor balanço, seu único balanço, seu melhor amigo, aquele que ela pensou que nunca derrubaria ela... Parecia o ponto final.

E se a vida era uma brincadeira, ela já não queria brincar mais. Se a vida era um jogo, ela não queria jogar mais. Se a vida era um balanço, ela não queria balançar mais.

Mas se a vida for apenas a vida... Bem, então ela não queria viver mais.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Por favor, suste.

Querida Sophie,

Esta manhã vi marcas em seu pulso. Pareciam arranhões, mais profundos. Em seu rosto, identifiquei o sorriso de sempre. Um sorriso com todos os dentes, não um sorriso de mentira, mas um sorriso que esconde verdades. Em seus olhos morenos e intensos pude ver ainda mais. Pude ver um apartamento, uma família problemática. Pude ver-te trancada em seu quarto, Sophie. Tentando não chorar, tentando ignorar. Tentando melhorar. Mas você não consegue não é? E ai você corre até o banheiro, uma suíte na verdade. E as giletes...
Depois do que vi em seus olhos, querida Sophie, passei a manhã a me preocupar com você. Juro que tentei ignorar, mas algo dentro de mim não permitiu. Um elo... Uma ligação com você. Ainda agora minha mente está a mil; dançando em passos descontrolados e descompassados, longe do ritmo da música que toca em meu coração. Mas naquele momento... Naquele momento foi pior. Eu não sabia o que fazer, minha [Sophie]. Dúvidas, perguntas, respostas, problemas e possíveis soluções passavam por minha cabeça de uma só vez. Eu não sabia o que fazer. Ainda não sei.
Sabe? Não, você não sabe. Não sabe o quanto eu te amo, porque mesmo eu descobri apenas agora. Descobri que daria minha vida por você.
Estranho, não? Eu me jogaria na frente de um carro ou na frente de um tiro para que você não morresse, bem como nos filmes. Doaria um dos meus órgãos se você precisasse. Afogar-me-ia pra salvar você do afogamento. Mas não sei o que fazer para salvar você de si mesma.
Eu não queria, mas preciso pedir-te. Preciso suplicar-te. Por favor, pare de machucar a si mesma. Pedir não adianta com você, muito menos dar lição de moral - conheço bem minha criança teimosa -, mas não é minha intenção simplesmente reclamar ou tentar te colocar algum juízo na cabeça. Eu te peço com o sentimento, te peço com o coração. Estou aqui para você, espero que saiba. Não só para te ouvir, mas para te abraçar e te amar o quanto você permitir – porque por você meu amor é infinito.
Então, minha Sophie, minha vida, meu amor, minha princesinha. Por favor, suste. Não machuque a si mesma, desconte em mim se quiser, pois não sinto dor, te prometo. Mas não continue seguindo com isso. Sua vida não vale nada que esse mundo pague: nenhuma dor, nenhum sofrimento, nenhum momento. Ninguém. Você merece ser feliz, e para isso eu estou aqui.
Talvez seja um pedido egoísta, mas pare isso. Pare por mim. Porque eu não sei se viveria sem você.

Daquele que te ama e sempre vai te amar,
Seu Leonard.

domingo, 6 de maio de 2012

Sophie acordou de um sonho estranho


Sophie acordou de um sonho estranho.

Sentada em seu balanço, com seu caderno em mãos. Encarava a folha em branco.
E então ela tentava, fazia de tudo, dava o seu máximo para preencher a folha. Mas nunca conseguia. Independente do que tentasse e do que viesse à cabeça.
Palavras iam e vinham. Palavras vinham e iam. Para cima e para baixo, brincando de pique-esconde.

E se escondiam.
E não eram encontradas.

E então Sophie encarava suas mãos. E encarava sua mente.
Pensava em seus sentimentos; e pensava em seus pensamentos. Mas em nada pensava.

Sophie não conseguia encontrar suas palavras. E não conseguia encontrar seus sentimentos.
Nem, ao menos, seus pensamentos.

E ali ela ficava. Condenada sem suas palavras.
Restando-lhe apenas o vazio do papel.




*Nada demais. Um texto ridículo e simples que só serviu mesmo pra apagar essa sensação que tenho pra mim de que nunca mais vou conseguir escrever.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Sophie tinha medo de amar


Em um pequeno vilarejo em nenhum lugar especial, vivia uma menina. Ela amava a cor azul, mas seus olhos eram castanhos. Ela amava livros, mas lia apenas páginas em branco. Vivia numa humilde casa - sem teto, sem chão, sem parede -, onde tinha apenas um balanço; pendurado numa árvore solitário.

Se bem que ele não era assim tão solitário, pois sua menina (seu nome era Sophie) lhe fazia companhia todos os dias, fosse apenas para sentar e ouvir o silêncio, fosse para escrever palavras que não eram escritas, ou ditas.

Sophie tinha um grande segredo: ela tinha medo de amar. Mas ela amava. E como amava! Amava a ponto de escrever poemas vazios – em sentido, mas não em sentimento –, amava a ponto de odiar amar, e, sendo assim, amar odiar. Apenas ela sabia seu desespero ao perceber seu coração agitar-se ao ver certo alguém, ou ao sorrir involuntariamente ao ver apenas um sorriso. Apenas ela sabia como era odiar amar o sorriso dele; que era perfeito, embora ele tivesse dentes defeituosos. E mais do que isso: apenas ela sabia que o sorriso dele era a razão do sorriso dela. Sempre.

E por isso, por amar seu sorriso, ela tinha medo. Porque a cada dia ela amava-o mais. A cada dia era puxada ainda mais pelo imã que ele certamente carregava para causar tamanha atração nela (um imã que não atraia outro imã, pois se atraísse ele já seria dela). E a cada dia ela tinha mais medo de se machucar, de perder tudo. Perder seu amor e sua chance de felicidade.

Perder tudo o que nunca teve. Faça isso sentido ou não, a verdade é que Sophie tinha um segredo. Ela tinha medo. Medo de amar. Mas ela amava, e apenas queria não amar. Porque, afinal, ela não estava apaixonada só por um sorriso.

domingo, 22 de abril de 2012

You're Not Sorry*


Sabe, a minha mãe costuma me chamar de "Maria das Dores". Todos os dias eu acordo com alguma dor nova ou velha e não canso de me queixar. De fato, eu estou cheia de dores: me doem a nuca, os tornozelos, os rins, a boca. Mas o que mais dói é o coração.

Oh, meu coração. Meu roxo coração. Roxo hoje, mas já foi vermelho um dia. Todo alegrias. Eu era tão inocente! Admirava as pessoas ao meu redor, tinha orgulho por tê-los e por poder vê-los crescendo, embora quase todos fossem mais velhos. Eu os tinha como amigos. Meus melhores amigos, e sabe o que mais: eu os amava.

Não acho e não tenho a audácia de pensar que esse amor um dia se acabe, pois sou eu que sinto e eu é que sei o quanto é verdadeiro. Às vezes desejo nunca ter sentido isso, só que... Quer saber? Eu não me arrependo.

Quando digo que não me arrependo, não me refiro a todos os momentos bons que tivemos. Não me arrependo deles também, mas evito pensar nisso (lembranças e pensamentos também machucam, não só palavras). Quero dizer que não me arrependo de ter sido uma idiota que confiou e acreditou que tudo poderia ser um mar de rosas. Na verdade, estou feliz. Fui inocente um dia, e isso me fez mal. Mas também me fez crescer.

Todos os dias quando acordo - alguns dias mais do que outros -, sinto a dor de ter sido decepcionada. E eu já tentei de tudo para que isso acabasse. Mas todo mundo um dia cansa. Hoje é a minha vez. Sinto muito, mas não. Você não está desculpada.



*You're Not Sorry é uma música de Taylor Swift, quem quiser pra acompanhar: 

sábado, 21 de abril de 2012

Um só


- Eu amo. – ela sussurrou insegura, aparentemente para si mesma, com a intenção de tornar isto claro para a sua alma.

- Realmente amas, Sophie? – em silêncio, sua alma sussurrou de volta, rebelando-se ousadamente. – Tem certeza disso? Tem certeza que é capaz de amar?

- Eu amo. – insistiu a garota Sophie, ainda mais insegura - Eu tenho um coração.

- Nem todos que possuem um coração são capazes de amar. – a voz da sua própria alma respondeu de volta, preenchendo sua mente com som das dúvidas e das incertezas.

- Mas eu amo...

- Você não parece ter certeza disso, Sophie.

- Você está errada. Eu amo.

- Não ama. Você é incapaz de amar. Sempre foi.

-E quem é você para dizer isso? Você não é ninguém. Eu amo.

- Eu sou. E se não sou, você também não é. Somos uma só. Você é o corpo, dotado de desejos mundanos e humanos. Eu sou a alma. Perfeita. Sempre perfeita. Capaz de voar e passear em mundos desconhecidos pelo corpo. Eu amo, e não você.

- Eu já disse, está errada!

- Não estou. Pense bem, Sophie. Você se corta porque não é capaz de chorar. Você não ama. Se amasse, chorar seria natural.

- É justamente o contrário. Eu amo. Eu amo demais.

- E o que te faz acreditar nisso? Não engane a si mesma. Você é uma vagabunda que foi tirada das ruas, que não tem gratidão por quem te salvou. Você não ama. Você não sente. Você não chora. Você não vive. Você caiu e não levantou. Você está arruinada.

E assim quebrou-se o elo entre o corpo e sua alma. Nas profundezas do inferno, arrependeu-se a alma. Debaixo da terra, refugiou-se o corpo. E nunca mais se tornariam um só.






Não Me é Permitido Odiar


Se me fosse permitido dizer, eu diria que as odeio. Quem? As pessoas, ora.  As odeio em confidência. Um ódio apaixonado e deslumbrado. Vivo a vê-las brigarem e saírem machucadas, só para alegarem não ter perdido a guerra.
Pessoas mentem, e sorriem como se estivessem bem, brincam e se divertem como se nada fosse importante. Eu poderia até entendê-las – cá entre nós, entendo-as sim. Mas fala baixo, porque não me é permitido entender -, só que estou muito ocupada odiando-as. É que meu ódio permite-me apenas odiar. Então eu odeio.
Mas em segredo. Porque não me é permitido odiar.

Aprazível Borboleta

Um blog criado para postagem de contos e textos de minha autoria. O nome foi dado em homenagem à uma das minhas personagens favoritas, Alexandra Udinov, da série Nikita. "Borboletas são a prova de Deus de que podemos ter uma segunda chance", ela disse. E talvez seja verdade, mas o importante é que, ela certa ou não, eu acredito - e sempre gostei de borboletas.